
Uma cruz se levanta ao longo e no alto. E pessoas a olham maravilhadas, crentes, fervorosas. E rezam, e rezam, e olham, e sentem. Algumas não sabem bem por que ou para quem rezam, mas é no mistério que o ser humano encontra sua vontade de viver. Aliás, é só uma cruz; Duas hastes de madeira, sendo que uma cruza a outra. Da mesma madeira se fazem móveis, casas, objetos. Mas aqueles dois pedaços são como uma epifania para os que ali estão e sentem.
E continua sendo um símbolo. Para quem não conhece, aquela cruz não passa de apenas dois pedaços de madeira. E é assim que o ser humano vive: cercado de símbolos. Existe uma atenção especial para os símbolos em nossa vida; não vivemos sem. O alguém que se identifica como ateu só se priva de um deus, mas continua aplicando sua fé em diferentes símbolos. Alguns dizem que não acreditam em nada, entretanto seguem piamente conceitos de seu autor predileto, por exemplo, ou dizem que não existe um deus mas levam um trevo de quatro folhas consigo.
O ser humano não vive sem religião. Qualquer seja seu desacordo ou insatisfação. E, nessa necessidade de religião, alguns a tomam exageradamente; sua cruz será sua nação. Certo orgulho pode até ser percebido quando fiéis são questionados sobre sua religião. Existem vários por aí dizendo aos ventos que são filhos do único e poderoso Deus. Outros, acordam e agradecem o novo dia ao onipresente e onisciente Alá. E, paradoxalmente, os monoteístas afirmam isso de seus deuses.
"Só existe um Deus", dizem os cristãos, mas quando se fala em Alá se pode ver caretas e sussurros nervosos - e o mesmo acontece na situação contrária. Oras, se só existe um deus, então quem é que pode separar Alá e Deus? Eles não são únicos? Pois bem - são um só. E muitos, ao lerem isso, se queixarão: "mas meu Deus/Alá não é igual a Alá/Deus; o meu é melhor". Se o seu deus é melhor que um outro, então você reconhece que existe mais que um deus nesse mundo. E adeus monoteísmo. Se você acha que seu deus é melhor que um outro, mas que mesmo assim você é monoteísta, então você está falando mal de seu próprio deus. E fica nessa encruzilhada.
E que encruzilhada é a religião, hein? Desculpe o lugar-comum, mas se ficar o bicho come e se correr o bicho pega. Portanto, infelizmente o assunto acaba assim, indeterminado. Porque, como ver o tempo (vide O Céu), é difícil ver algo que existe apenas dentro de si mesmo, como a religião, fechada em sua própria existência.
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