Na frente do espelho ele se olhava. Era um rosto singular, mas não era seu. Então o quê via? Não sabia. Mas via - e entendia. Frente ao espelho tinha alguém estranho. Conhecia a proporção desses reflexos, suas medidas, só não lembrava de quem era. Via algo que fazia parte de si mesmo, mas não sabia que parte era era. Via seu ego, disfarçado com uma trabalhada máscara.
E nesse reflexo do seu ego, via-se de um modo diferente. O espelho não mostrava suas características físicas, e sim seus atributos interiores. Sua insegurança, sua tristeza - tudo isso era evidenciado cru naquela superfície. Mas também sua esperança e sua vivacidade brilhavam em seus olhos.
Por não ter segurança, seu olhos viviam fechados, com medo do não conhecido, e ocultava todo seu brilho. E, com isso, a tristeza suava de sua pele. Mas por que isso? Ele apenas não se conhecia. Ele não acreditava em si. Da mesma forma que sua pele pode suar tristeza, ela pode suar também felicidade, orgulho; Ele tinha medo do que não conhecia - Mas se não conhecia, como tinha medo? Tinha medo dos outros. Na verdade, seu medo era não ser um outro. Queria passar despercebido. Queria que aquele cabelo fosse mais enrolado, que seus olhos fossem mais claros. Queria ser aceito. E nisso, fechava seus olhos, ocultava seu brilho - só para ser mais alguém.
O espelho, na verdade, é a visão dos outros. O que ele via no espelho, os outros vêem também. Mas só ele sabia o que estava vendo. Só ele entendia o brilho de seus olhos. E só ele podia mudar isso. E então, o que você vê quando se depara com um espelho?
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